Categoria: Economia

  • Apostas não financeiras em plataformas de previsões são proibidas

    Apostas não financeiras em plataformas de previsões são proibidas

    A partir do início de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passam a ser proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A medida, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), busca fechar uma brecha regulatória e definir regras mais claras para esse tipo de atividade.

    Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities, que são os bens primários com cotação internacional.

    As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298, aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira (23).

    O que é o mercado preditivo?

    O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”

    Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.

    A diferença em relação às apostas tradicionais é que:

    Nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios;
    Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si.
    Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.
    O que passa a ser proibido?

    Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos ligados a:

    Resultados de jogos esportivos
    Eleições e temas políticos
    Reality shows e entretenimento
    Eventos sociais ou culturais
    Na prática, boa parte do que fazia sucesso nessas plataformas deixa de ser permitido. A proibição vale inclusive para plataformas estrangeiras que ofereçam esses produtos a brasileiros.

    O que continua liberado?

    Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis econômicas, como:

    Taxa de juros;
    Inflação;
    Câmbio;
    Preço de petróleo ou outras commodities.
    Esses casos continuam sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado financeiro.

    Por que o governo tomou essa decisão?

    O principal motivo é que o governo passou a entender que apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, não como investimentos.

    Dessa forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser feitas por meio de bets, que exigem:

    Licença do Ministério da Fazenda;
    Pagamento de taxas;
    Regras de proteção ao jogador.
    Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram vistas como concorrência irregular às bets.

    O que muda para o setor?

    A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.

    Por outro lado, o governo tenta:

    • Evitar riscos para investidores;
    • Reduzir especulação excessiva;
    • Organizar um setor que crescia sem regras claras.
    • A regulamentação complementar será feita pela CVM, que também ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das novas normas.

    Quando passa a valer?

    As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país.

    Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

  • Bancos apoiam novas regras do FGC após decisão do CMN

    Bancos apoiam novas regras do FGC após decisão do CMN

    A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) avaliou de forma positiva o endurecimento das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), destacando que as medidas chegam em momento “oportuno” para reduzir riscos e preservar a estabilidade do setor.

    Segundo a entidade, as mudanças aprimoram tanto a gestão de liquidez dos bancos quanto os mecanismos ligados ao FGC, considerado uma peça central na proteção de investidores. A avaliação é de que a decisão acompanha a evolução recente do mercado e fortalece a regulação financeira no país.

    “Além de positiva, a iniciativa é oportuna e tempestiva para responder à evolução recente do mercado, no que tange à mitigação de riscos e à preservação da estabilidade financeira”, destacou a entidade em nota.

    Na avaliação da ABBC, o conjunto de medidas reforça a solidez do sistema financeiro brasileiro ao equilibrar dois objetivos: proteger investidores e evitar que problemas isolados em instituições específicas se transformem em crises mais amplas.

    Aperto
    Em reunião nesta quinta-feira (23), o CMN aprovou um pacote de medidas que busca evitar que bancos assumam riscos excessivos ao captar recursos com garantia do FGC, fundo que funciona como uma espécie de “seguro” para aplicações como CDBs, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou empresa em caso de quebra de uma instituição, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

    Um dos principais pontos da mudança é a criação de um novo indicador, chamado Ativo de Referência (AR). Esse mecanismo mede a qualidade e a liquidez dos ativos que um banco possui, a capacidade de transformar investimentos em dinheiro rapidamente.

    Com a nova regra, instituições que captarem muitos recursos com proteção do FGC, mas tiverem ativos considerados de maior risco ou de difícil venda, serão obrigadas a aplicar parte desse dinheiro em títulos públicos federais, que são mais seguros. A intenção é limitar o uso excessivo da garantia do fundo e desestimular estratégias agressivas de crescimento.

    Segundo a associação, a mudança atende a uma demanda antiga do setor, ao criar uma ligação direta entre o volume captado com garantia do FGC e a qualidade dos ativos dos bancos. Com isso, a tendência é reduzir práticas que envolvem captação elevada combinada com investimentos de baixa liquidez e pouca transparência.

    “Como resultado, a medida contribui para restringir o uso excessivo da garantia do FGC e desestimular estratégias baseadas em crescimento acelerado, especialmente quando associadas a ativos de maior risco e menor transparência”, ressaltou a nota da ABBC.

    As medidas também reforçam o combate ao chamado “risco moral”, quando instituições assumem mais riscos por saberem que contam com algum tipo de proteção, como a cobertura do FGC.

    Exigências
    Além das mudanças no FGC, o CMN também ampliou as exigências de liquidez dos bancos, alinhando o Brasil a padrões internacionais como o acordo de Basileia 3. O principal indicador, conhecido como Razão de Cobertura de Liquidez (LCR, na sigla em inglês), mede se a instituição tem recursos suficientes para enfrentar um cenário de estresse por 30 dias.

    Agora, essa exigência passa a valer também para bancos de médio porte, enquanto instituições menores terão uma versão simplificada, chamada LCRS. Segundo a ABBC, a implementação gradual das regras é importante para permitir a adaptação dos sistemas e processos internos das instituições.

    O cronograma prevê que, em 2027, os bancos cumpram inicialmente 90% das exigências, chegando a 100% na etapa final.

    O aperto regulatório ocorre após episódios recentes de instabilidade no sistema financeiro, como o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil. O caso chamou atenção porque o banco oferecia rendimentos elevados para atrair investidores, mas mantinha grande parte dos recursos em ativos de baixa liquidez, o que dificultou honrar compromissos.

    Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

  • Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 6

    Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 6

    A Caixa Econômica Federal paga nesta sexta-feira (24) a parcela de abril do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6.

    O valor mínimo do benefício corresponde a R$ 600, mas, com o novo adicional, o valor médio sobe para R$ 678,22.

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês, o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 18,9 milhões de famílias, com investimento de R$ 12,8 bilhões.

    Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

    No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

    Pagamento unificado
    Beneficiários de 173 cidades de 11 estados receberam o pagamento no último dia 16, independentemente do NIS. A medida apoiou os moradores de 121 municípios do Rio Grande do Norte, que sofrem com a seca, e cinco municípios mineiros atingidos por enchentes.

    Também foram incluídos moradores de cidades nos seguintes estados: Amazonas (3), Bahia (17), Pará (1), Paraná (1), Piauí (3), Rio de Janeiro (8), Roraima (6), São Paulo (2) e Sergipe (6).

    Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

    Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

    Regra de proteção
    Cerca de 2,34 milhões de famílias estão na regra de proteção em abril. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até R$ 706.

    Em 2025, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, a mudança só abrange as famílias que entraram na fase de transição a partir de junho de 2025. Quem se enquadrou na regra até maio de 2025 continuará a receber metade do benefício por dois anos.

    Fonte: Agência Brasil

  • Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

    Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

    A Caixa Econômica Federal paga nesta quinta-feira (23) a parcela de abril do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5.

    O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 678,22. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 18,9 milhões de famílias, com gasto de R$ 12,8 bilhões.

    Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

    No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

    Pagamento unificado
    Os beneficiários de 173 cidades de 11 estados receberam o pagamento no último dia 16, independentemente do NIS. A medida beneficiou os moradores de 121 municípios do Rio Grande do Norte, que sofrem com a seca, e cinco municípios mineiros atingidos por enchentes. Também foram beneficiadas cidades nos seguintes estados: Amazonas (3), Bahia (17), Pará (1), Paraná (1), Piauí (3), Rio de Janeiro (8), Roraima (6), São Paulo (2) e Sergipe (6).

    Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

    Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

    Regra de proteção
    Cerca de 2,34 milhões de famílias estão na regra de proteção em abril. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até R$ 706.

    Em 2025, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, a mudança só abrange as famílias que entraram na fase de transição a partir de junho de 2025. Quem se enquadrou na regra até maio de 2025 continuará a receber metade do benefício por dois anos.

    Fonte: Agência Brasil

  • Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

    Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

    Cerca de 415 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco podem saber se receberão restituição. Às 10h desta quinta-feira (23), a Receita Federal libera a consulta ao lote da malha fina de abril. O lote também contempla restituições residuais de anos anteriores.

    Ao todo, 415.277 contribuintes receberão R$ 592,2 milhões. Desse total, R$ 256,8 milhões irão para contribuintes com prioridade legal no reembolso.

    As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

    •    334.614 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix;
    •    32.231 contribuintes sem prioridade;
    •    28.572 contribuintes de 60 a 79 anos;
    •    10.521 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
    •    4.731 contribuintes acima de 80 anos;
    •    4.608 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave.

    A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

    Pagamento
    O pagamento será feito em 30 de abril, na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

    Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

    Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.

    Fonte: Agência Brasil

  • CCJ da Câmara retoma análise do fim da escala 6×1 nesta quarta

    CCJ da Câmara retoma análise do fim da escala 6×1 nesta quarta

    A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019 que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1) será analisada, nesta quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Além do fim da escala 6×1, a proposta prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em um prazo de dez anos. A sessão está marcada para começar às 14h30.

    A PEC volta à pauta da CCJ depois que a oposição pediu vista da matéria na semana passada. O relator da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade da PEC, ou seja, defendeu que a redução da jornada é constitucional.

    Se aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete criar comissão especial para analisar o texto. A comissão tem entre 10 e 40 sessões do plenário da Câmara para aprovar ou rejeitar um parecer sobre a PEC. Em seguida, o texto pode ir para apreciação do plenário.

    Como essa tramitação pode se estender por meses, e diante da tentativa da oposição de barrar a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

    O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

    Motta comentou que é prerrogativa do governo federal enviar um PL com urgência constitucional, mas a Câmara vai seguir com a tramitação da PEC. A Proposta de Emenda à Constituição unificou as propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSOL-RJ).

    O governo tem defendido que a proposta do Executivo não compete com a PEC em tramitação na Câmara, segundo explicou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

    “Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.

    Fonte: Agência Brasil – Lucas Pordeus León

  • Escala 6×1: propostas no Congresso avançam para pôr fim à jornada; veja qual está mais perto de passar

    Escala 6×1: propostas no Congresso avançam para pôr fim à jornada; veja qual está mais perto de passar

    O fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — saiu do campo das discussões pontuais e passou a ocupar o centro da agenda trabalhista do país.

    O tema ganhou força no Congresso Nacional e hoje avança por quatro frentes simultâneas, com propostas que seguem caminhos distintos.

    No pano de fundo, o debate coloca em lados opostos a pressão por mais tempo livre e as preocupações com os efeitos econômicos das mudanças. Na prática, nunca antes o fim da escala 6×1 foi discutido de forma tão ampla e conjunta no Brasil.

    Na Câmara dos Deputados, dois textos avançaram um passo importante na última quarta-feira (15). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) emitiu parecer favorável à tramitação da PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e da proposta apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

    A votação, no entanto, foi adiada após um pedido de vista da oposição, o que empurrou a decisão final da comissão para os próximos dias.

    Ao mesmo tempo, o governo federal decidiu seguir por outro caminho. Na terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso um projeto de lei, com urgência constitucional, que também prevê o fim da escala 6×1.

    A estratégia do Planalto é testar a viabilidade política da mudança por meio de um trâmite mais rápido.

    No Senado Federal, a discussão está mais avançada. A PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela CCJ da Casa em dezembro do ano passado e aguarda análise do plenário. Trata-se do texto mais adiantado do ponto de vista legislativo.

    O Congresso, portanto, analisa simultaneamente quatro propostas, cada uma com trajetória própria e diferentes níveis de avanço. Embora o objetivo central seja semelhante, os formatos, os prazos e os impactos previstos são distintos.

    O que cada texto propõe?
    A proposta mais avançada até o momento é a PEC 148/2015.

    “É a [PEC] mais antiga em tramitação sobre o tema e prevê a redução gradual da jornada até o limite de 36 horas semanais”, afirma Paulo Renato Paim, autor da proposta, ao g1.
    O texto prevê uma redução gradual da jornada de trabalho. No primeiro ano após a promulgação, a carga semanal cairia de 44 horas para 40 horas. A partir daí, haveria reduções anuais de uma hora até o limite de 36 horas semanais.

    A proposta formaliza a escala 5×2, com dois dias de descanso, e estabelece a proibição de redução salarial durante toda a transição.

    Aprovada na CCJ do Senado, a PEC segue agora para o plenário, onde será votada em dois turnos e precisará de 49 votos favoráveis em cada um. Se aprovada, o texto seguirá para a Câmara, onde também passará por dois turnos. Só então poderá ser promulgada.

    “O texto já está pronto para análise no plenário do Senado, embora ainda não haja data definida para votação”, diz Paim.Já na Câmara, a proposta mais abrangente é a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton.

    O texto propõe a adoção da escala 4×3, com jornada máxima de 36 horas semanais. A implementação ocorreria em até 360 dias. A medida se aproxima de experiências internacionais recentes, mas enfrenta maior resistência política.

    A PEC do deputado Reginaldo Lopes segue na mesma direção quanto à carga horária final, mas prevê uma transição mais longa. A redução poderia ocorrer ao longo de até 10 anos, com o objetivo de diminuir eventuais impactos sobre empresas, especialmente em setores mais intensivos em mão de obra.

    As PECs de Erika Hilton e Reginaldo Lopes permanecem na fase de admissibilidade, que avalia apenas se os textos respeitam a Constituição. A discussão de mérito ocorrerá em uma comissão especial, etapa seguinte do processo.
    Por fim, o projeto de lei do governo federal adota uma alternativa intermediária. O texto fixa a jornada em 40 horas semanais, com escala 5×2, e garante a manutenção dos salários.

    Como altera a CLT, o projeto exige apenas maioria simples para aprovação. Além disso, foi enviado com urgência constitucional, o que limita a até 45 dias o prazo máximo de tramitação em cada Casa Legislativa. O prazo pode ser estendido por mais 10 dias caso o texto seja alterado.

    Um dos destaques é a inclusão dos trabalhadores domésticos, grupo frequentemente excluído de reformas trabalhistas.

    “Do ponto de vista da tramitação do processo legislativo, a proposta que deve caminhar mais rapidamente é a enviada pela Presidência da República, porque ela não só reúne grande parte dos elementos das outras, como vem acompanhada de dois fatores: o regime de urgência (…) e a vontade política”, avalia o professor de Direito Constitucional da USP, Rubens Beçak.
    Por onde cada texto tramita — e por que isso importa
    As diferenças entre uma PEC e um projeto de lei ajudam a explicar a existência de várias frentes ao mesmo tempo.

    Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) altera a norma máxima do país. Por isso, precisa ser aprovada em dois turnos em cada Casa e contar com o apoio de três quintos dos parlamentares. Não depende de sanção presidencial. Se aprovada, é promulgada pelo Congresso.
    Já o Projeto de Lei (PL) altera normas infraconstitucionais, como a CLT. O processo é mais simples, exige menos votos e depende de sanção presidencial.
    Justamente por alterarem o texto da Constituição Federal, as PECs têm um rito mais rigoroso e precisam, obrigatoriamente, tramitar pelas duas Casas do Congresso Nacional, explica Marcos Jorge, mestre em Direito Público e coordenador jurídico do escritório Wilton Gomes Advogados.Nesse contexto, Marcos ressalta que, no caso específico da jornada de trabalho, o PL não seria o instrumento legislativo adequado, já que a carga horária atual está prevista na Constituição Federal. Assim, a alteração dessa regra só poderia ser feita por meio de uma PEC.

    Propostas avançam em meio a divergências
    O avanço das propostas ocorre em meio a um debate que também se intensificou fora do Congresso.

    Mesmo entre apoiadores do fim da escala 6×1, há quem defenda mudanças graduais, negociação coletiva e medidas de compensação, principalmente para micro e pequenas empresas.

    O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) resume essa posição ao defender uma redução inicial mais moderada.

    “Se reduzirmos de forma paulatina de 44 para 40 horas semanais, já estaríamos extinguindo a escala 6 por 1”, afirmou.

    Para sindicatos e movimentos sociais, o fim da escala 6×1 é uma reivindicação antiga. A avaliação é de que jornadas extensas afetam a saúde física e mental, aumentam o risco de acidentes e reduzem o tempo de descanso, sobretudo entre mulheres e trabalhadores de baixa renda.

    O relator da CCJ da Câmara, Paulo Azi, também abordou esse ponto em seu parecer. Segundo ele, no regime 6×1, o único dia de descanso costuma ser consumido por tarefas domésticas e demandas acumuladas.

    Para Azi, a redução da jornada poderia contribuir para um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

    “Elas [PECs e PL que propõem o fim da 6×1] estão em estágios diferentes, mas todas partem de um ponto de vista semelhante. O que é preciso entender é se vai prevalecer a vontade política, sobretudo em um ano eleitoral, em que o governo tem interesse na aprovação de medidas com alto potencial de apoio popular”, completa Beçak.

    Impactos econômicos: PIB, emprego e informalidade
    Por outro lado, representantes do setor produtivo reforçam as preocupações com os impactos econômicos das propostas.

    Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Tendências Consultoria, indica que a redução da jornada de 44 para 36 horas, sem aumento proporcional de produtividade, pode levar a uma queda de até 3,7% do PIB no primeiro ano.

    Em cinco anos, a retração acumulada poderia chegar a 4,9%. Mesmo em um cenário com ganho de produtividade de 2%, os resultados permaneceriam negativos.

    As simulações também apontam que cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais poderiam enfrentar risco de demissão ou migração para a informalidade.

    “O custo com pessoal representa um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas”, afirma Guilherme Hakme, diretor da Fiep. “Elevações nesse tipo de custo podem afetar decisões operacionais, como redução do horário de funcionamento e demissões.”
    No comércio, um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que a adaptação a jornadas menores pode elevar a folha salarial em cerca de 21%. Parte desse custo tende a ser repassada aos preços. Segundo o levantamento, cada aumento de 1% no custo do trabalho pode elevar a informalidade em 0,34%.

    No turismo, setor que depende da escala 6×1 para operar aos fins de semana, o impacto esperado recai sobre preços e demanda.

    No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que ciclos naturais de produção nem sempre se adaptam a jornadas rígidas, especialmente em atividades sazonais e operações contínuas, como a pecuária leiteira.

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução para 40 horas pode gerar aumento de custos de até R$ 267 bilhões para o setor industrial. Para uma jornada de 36 horas, o impacto seria maior.

    Para economistas, o ponto central da discussão é a produtividade. Segundo André Portela, da FGV, a redução da jornada de 44 para 36 horas, com manutenção dos salários, elevaria o custo da hora trabalhada em cerca de 22%.

    Diante desse cenário, empresas tendem a adotar diferentes estratégias, como repassar custos, investir em automação ou reorganizar equipes. Pequenas empresas, com menor capacidade de adaptação, aparecem como as mais expostas.

    A avaliação de especialistas é que mudanças desse porte exigem planejamento. Sem isso, há risco de efeitos como aumento da informalidade, acúmulo de empregos e maior instabilidade econômica, especialmente em caso de implementação rápida.

  • Caixa começa a pagar Bolsa Família de abril

    Caixa começa a pagar Bolsa Família de abril

    A Caixa Econômica Federal começa a pagar a parcela de abril do Bolsa Família. Recebem nesta quinta-feira (16) os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1. Ao todo cerca de 18,9 milhões de famílias receberão o benefício neste mês.

    Os beneficiários de dez estados receberão o crédito nesta quinta, independentemente do número final do NIS. O pagamento unificado beneficia localidades em situação de emergência ou em estado de calamidade pública nos seguintes estados: Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, São Paulo e Sergipe.

    O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

    No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

    Além do benefício integral, cerca de 2 milhões de famílias estão na regra de proteção em abril. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

    Desde junho do ano passado, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, quem entrou na regra até maio de 2025 continua a receber metade do benefício por dois anos.

    Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

    Fonte: Agência Brasil

  • Atividade econômica brasileira cresce 0,6% em fevereiro

    Atividade econômica brasileira cresce 0,6% em fevereiro

    A atividade econômica brasileira teve crescimento em fevereiro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período).

    As altas foram de 0,2% na agropecuária, 1,2% na indústria e 0,3% em serviços.

    Já na comparação com fevereiro de 2025, houve recuo de 0,3%, sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais. Em 12 meses acumulados até fevereiro deste ano, o índice acumula uma alta de 1,9%.

    O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução o ritmo da economia do país e incorpora informações sobre o nível de atividade na indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos.

    O índice ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre os juros básicos da economia, a Taxa Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano. A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação.

    Produto Interno Bruto
    Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”

    O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

    Fonte: Agência Brasil

  • Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027

    Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027

    O governo federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para o ano que vem, com aumento nominal de 5,92%. O valor consta do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado nesta quarta-feira (15) ao Congresso Nacional.

    O reajuste segue a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para os 12 meses terminados em novembro mais o crescimento da economia em 2025, limitado ao crescimento de gastos de 2,5% acima da inflação, determinado pelo arcabouço fiscal. A estimativa para o INPC também consta do PLDO.

    O projeto também apresentou previsões de R$ 1.812 para o salário mínimo em 2028, de R$ 1.913 para 2029 e de R$ 2.020 para 2030. As projeções são preliminares e serão revistas no PLDO dos próximos anos.

    Em 2023, o salário mínimo voltou a ser corrigido pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do PIB, soma das riquezas produzidas pelo país, de dois anos antes. Essa fórmula vigorou de 2006 a 2019. Por essa regra, o salário mínimo aumentaria 2,3% acima do INPC.

    O pacote de corte de gastos aprovado no fim de 2024, no entanto, limitou o crescimento. Isso porque o salário mínimo entrou nos limites do arcabouço fiscal, que prevê crescimento real (acima da inflação) dos gastos entre 0,6% e 2,5%. Como o crescimento de 2,3% no PIB está abaixo do teto de 2,5%, a expansão da economia em 2025 poderá ser aplicada.

    Fonte: Agência Brasil