Tempestade de neve atinge regiões centrais e do Nordeste dos Estados Unidos, afeta 200 milhões de pessoas e provoca cancelamentos de voos internacionais
Pelo menos 21 estados dos Estados Unidos decretaram estado de emergência por causa de uma forte nevasca que avança pelo país. A tempestade já começou a atingir a região central e deve se intensificar até a próxima segunda-feira. Segundo autoridades, cerca de 200 milhões de americanos vivem nas áreas afetadas.
No Texas, onde os moradores estão acostumados a altas temperaturas, o frio intenso e a previsão de neve provocaram corridas aos supermercados, com filas e prateleiras vazias. A situação é considerada atípica para o estado, o que aumenta o risco de transtornos.
Em Nova York, a governadora e o prefeito afirmaram que tanto a cidade quanto o estado estão preparados para enfrentar a tempestade, com equipes de emergência e serviços de limpeza em alerta.
Voos cancelados
O impacto no transporte aéreo é significativo. Mais de 12 mil voos foram cancelados em todo o país apenas neste sábado, segundo dados do setor. Entre eles, estão voos que partiriam do Brasil para Nova York e Boston, operados pela Latam.
Em nota enviada ao SBT News, a Latam informou que a nevasca deve afetar as viagens entre este sábado e a próxima segunda-feira e que oferece toda a assistência prevista na legislação brasileira aos passageiros impactados.
Voos do Brasil também foram afetados?
As companhias Azul e Gol afirmaram que operam voos apenas para a Flórida, estado que não deve ser atingido pela nevasca. Por isso, segundo as empresas, as viagens programadas não sofrerão impactos.
Enquanto isso, autoridades seguem monitorando o avanço da tempestade, que deve provocar neve intensa, ventos fortes e queda brusca de temperatura em diversas regiões do país.
Grupo de Trabalho será composto por seis representantes ministeriais
O Ministério da Saúde estuda revisar as diretrizes e as normas de financiamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que reúne os serviços públicos de todo o país destinados a pessoas em sofrimento psíquico ou que enfrentam problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
O exame inicial das duas portarias ministeriais que, desde setembro de 2017, estabelecem a forma como a Raps está organizada e é custeada está a cargo de um grupo de trabalho que contará com representantes das entidades que reúnem os secretários de saúde dos estados e do Distrito Federal (Conass) e municipais (Conasems).
O grupo de trabalho responsável por revisar e propor mudanças nas Portarias de Consolidação GM/MS nº 3 e nº 6 foi criado por meio da Portaria nº 10, publicada no Diário Oficial da União do último dia 6, e será composto por seis representantes ministeriais; dois do Conass e dois do Conasems.
A portaria também prevê a possibilidade de especialistas e representantes de órgãos e entidades, públicos ou privados, participarem na condição de convidados especiais, sem direito a voto.
De acordo com o texto da portaria, o grupo de trabalho terá 180 dias para apresentar sua proposta de revisão das normas e diretrizes da Raps. Se necessário, o prazo inicial poderá ser prorrogado pelo mesmo período. Ao fim, as sugestões do grupo serão submetidas à avaliação da Comissão Intergestores Tripartites – foro de negociações e decisões composto pelo Ministério da Saúde, Conass e Conasems.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que a iniciativa integra suas ações de fortalecimento da política pública de atenção psicossocial e busca aprimorar “a articulação entre os diferentes pontos de atenção [da Raps], a partir das necessidades dos territórios”.
“Com a instituição do grupo de trabalho, o ministério reafirma o compromisso com o fortalecimento do SUS e com a consolidação de uma política de saúde mental orientada pelos princípios da integralidade, da atenção em rede, do cuidado em liberdade e da gestão compartilhada entre os entes federativos,” informou a pasta.
Fragilidades
Já o Conass informou que considera a iniciativa “legítima e necessária”, desde que preservados os fundamentos da Lei nº 10.216/2001, principal marco legal da chamada Reforma Psiquiátrica brasileira, por dispor sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e estabelecer um novo modelo assistencial em saúde mental.
De acordo com o conselho, há tempos as secretarias estaduais de saúde vem apontando “importantes fragilidades da Raps”, tais como a dificuldade de muitas prefeituras custearem assistência psicossocial aos munícipes; a falta de arranjos regionais que promovam e garantam este tipo de assistência e o subdimensionamento da saúde mental na atenção primária.
“Somam-se a isso novas demandas do pós-pandemia [como o crescente número de diagnósticos de autismo e outros transtornos mentais; de medicalização de crianças e adolescentes; uso de psicotrópicos pela população em geral; casos de violência nas escolas; jogos e apostas online e dos agravos enfrentados pela situação em população de rua] e impasses quanto ao papel das comunidades terapêuticas, frequentemente desvinculadas da rede de atenção psicossocial e alvo de denúncias de violações de direitos”, pontuou o conselho, acrescentando que, no grupo de trabalho, “continuará reiterando seu compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS), com a Reforma Psiquiátrica e com uma política de saúde mental baseada em evidências, direitos humanos e na realidade dos territórios.”
“O Conass defende atualizar normas e critérios de custeio para fortalecer a Raps e ampliar o acesso e qualificar o cuidado desde que preservados os fundamentos da Reforma Psiquiátrica, como o cuidado em liberdade, serviços comunitários e territoriais, defesa de direitos humanos e protagonismo de usuários e familiares – conquistas da sociedade brasileira”, finalizou o conselho.
Desafios
Segundo o Conasems, União, estados e municípios vêm debatendo os componentes da Raps e os desafios que os gestores públicos enfrentam para garantir a oferta de serviços qualificados de cuidado em saúde mental desde o ano passado. De acordo com a entidade, as demandas relacionadas a sofrimentos psíquicos são cada vez mais complexas, exigindo cada vez mais do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O problema da saúde mental não se reduz a questões de financiamento ou à atuação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), mas envolve a capacidade do sistema em integrar a rede de urgência e emergência, a atenção básica e a hospitalar, aliada à necessidade de profissionais qualificados, à articulação com outros setores e à redução do estigma na sociedade como um todo”, informou o Conasems à Agência Brasil.
Ainda de acordo com a entidade, frente a problemas como a insuficiência de profissionais capacitados e a dificuldade de atrair os existentes para regiões de difícil acesso, os integrantes do grupo de trabalho deverão discutir possíveis melhorias para a rede, considerando as diferenças e particularidades dos 5.570 municípios brasileiros.
“A proposta é que, no âmbito da governança tripartite do SUS, sejam debatidas possíveis melhorias, respeitando os preceitos da reforma psiquiátrica e contando com o apoio do controle social – incluindo usuários, familiares, profissionais e a sociedade em geral –, de modo a formalizar uma política nacional de saúde mental”, acrescentou o conselho de secretarias municipais de saúde.
Suporte
A Raps oferece atendimento integral desde a atenção básica, o que inclui Unidades Básicas de Saúde (UBS); equipes de Consultório na Rua e Centros de Convivência e Cultura (Ceco), até a atenção psicossocial especializada, centrada nas diferentes modalidades de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
A rede também ainda dá suporte às crises por meio da Atenção de Urgência e Emergência (SAMU 192, UPAs e salas de estabilização) e a Atenção Hospitalar, com enfermarias especializadas em hospitais gerais. Complementam a estrutura as Estratégias de Desinstitucionalização, como os Serviços Residenciais Terapêuticos, a Atenção Residencial de Caráter Transitório (unidades de acolhimento e serviços residenciais) e as ações transversais de Reabilitação Psicossocial, que juntas visam promover a autonomia e a reintegração social dos usuários.
Primeiro-ministro Pedro Sánchez afirma que decisão é coerente com o compromisso do país com o multilateralismo e o sistema das Nações Unidas
A Espanha não participará da iniciativa Conselho da Paz, lançada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para lidar com conflitos globais. O governo espanhol afirmou que a decisão é coerente com sua crença no multilateralismo e no sistema das Nações Unidas (ONU).
“Agradecemos o convite, mas recusamos“, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a jornalistas na noite de quinta-feira, após uma cúpula da União Europeia em Bruxelas.
O Conselho da Paz Washington afirma que o órgão ajudará a mediar e monitorar cessar-fogos, organizar acordos de segurança e coordenar a reconstrução em áreas que emergem de guerras. O conceito deriva do plano de paz de Trump para Gaza.
Ausentes da cerimônia de lançamento do Conselho, realizada no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, estavam aliados tradicionais dos EUA, como Canadá, Reino Unido e quase todos os membros da União Europeia, com exceção de Hungria e Bulgária.
Motivos da recusa
Sánchez citou a coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo como os principais motivos para a recusa. O primeiro-ministro também ressaltou que o Conselho da Paz não inclui a Autoridade Palestina.
Até o momento, Israel aderiu ao conselho, juntamente com países do Oriente Médio como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Medida faz parte do anúncio do governo venezuelano de soltar detidos após a captura do ditador Nicolás Maduro, no dia 2 de janeiro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta sexta-feira (23) que 626 pessoas já foram libertadas da prisão no país como parte de um processo em andamento. Ela não informou, no entanto, um cronograma para novas liberações.
Segundo Rodríguez, na próxima segunda-feira (26), ela terá uma ligação com o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, para solicitar à ONU que verifique as listas de pessoas libertadas até agora no país.
O Foro Penal, uma das principais organizações venezuelanas de defesa dos direitos humanos, informou que 154 presos políticos foram libertados desde o dia 8 de janeiro.
A ONG acompanha casos de detenções consideradas arbitrárias e mantém registros independentes sobre a situação carcerária no país.
O presidente Donald Trump afirmou que a libertação dos presos políticos era um sinal da “busca pela paz” e disse ter cancelado uma segunda onda de ataques que estava planejada contra o país.
A Venezuela afirma que a decisão de libertar presos políticos é unilateral e apresentada como um gesto de paz, sem confirmação de participação dos Estados Unidos.
Concessionária adiantou os serviços para colocar em prática a imediata cobrança de pedágio na BR-364.
A Assembleia Legislativa de Rondônia, por meio de um grupo de deputados, está se mobilizando para protocolar junto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um ofício solicitando um estudo técnico e econômico visando a revisar o preço do pedágio praticado na BR-364, no trecho entre Vilhena e Porto Velho.
Segundo o deputado Pedro Fernandes (PRD), a população de todo o Estado está sentindo no bolso o preço elevado do pedágio praticado pela concessionária Nova BR-364. “Quem reside em Cujubim e precisa ir a Porto Velho paga R$ 5,00. No retorno para Cujubim, o usuário da rodovia precisa pagar R$ 35,00”, disse o parlamentar.
Cujubim faz parte da região da produção do Estado e fica distante 220 km da capital Rondoniense. No entanto, muitos moradores de Cujubim utilizam a rodovia para ir até a cidade de Ariquemes, município pólo da região. “Quem precisa ir até Ariquemes para fazer uma faculdade, por exemplo, terá de pagar R$ 74 reais por dia. Em 20 dias, o cidadão terá desembolsado R$ 1.480,00”, disse o parlamentar, acrescentando que é necessário um preço mais justo e equilibrado à população.
Deputado estadual Pedro Fernandes Foto: Assembleia
Por outro lado, o empresário e ex-senador Acir Gurgacz (PDT) vai protocolar um documento nesta quinta-feira (22.01.26) solicitando a suspensão da cobrança até que a empresa vencedora da licitação providencie as melhorias na rodovia. A nova concessionária não duplicou um quilômetro de rodovia. A única obra que ganhou prioridade da concessionária foi a instalação do sistema de cobrança de pedágio, o que permitiu a cobrança imediata do pedágio.
Nas redes sociais, conforme apurou o site Valor&MercadoRO, empresários defendem alternativas junto ao governo do Estado visando criar rota alternativa passando por cidades estratégicas, interligando municípios que dependem exclusivamente da BR-364. Para consolidar o projeto, seria necessário um investimento altíssimo do governo estadual ao longo dos próximos 4 anos. “Não podemos ficar refém de uma rodovia federal. Precisamos de rotas alternativas.”
Bancada em sono profundo
Ainda nas redes sociais, empresários e a população criticaram o silêncio profundo da bancada federal de Rondônia. Muitos políticos decidiram se manifestar após o leilão. O governador Marcos Rocha (União Brasil) disse em recente entrevista à imprensa disse que a Comissão de Infraestrutura do Senado realizou audiência pública em Ji-Paraná e Vilhena para tratar sobre o tema 30 dias após o leilão acontecer na Bolsa de Valores de São Paulo.
Um proprietário de carreta de 9 eixos, ao utilizar a BR-364 saindo de Vilhena até o Porto Graneleiro de Porto Velho, e retornar ao município de origem, terá de desembolsar R$ 2.316,80. Se o mesmo motorista fizer 4 viagens por mês, serão R$ 9.267,20.
A conta fica mais salgada quando 1.300 carretas trafegarem, por mês, pela rodovia federal recentemente privatizada. Durante 30 dias, a concessionária terá um lucro de R$ 401 mil somente com carretas de 9 eixos que fazem o transporte de grãos ao Porto da Capital. Em 12 meses, o lucro da concessionária será de R$ 144 milhões.
Os números representam um forte impacto na vida dos caminhoneiros e das grandes empresas que fazem o transporte de grãos, conforme aponta tabela baixo:
Período
Base de Cálculo
Valor (R$)
Por viagem (ida e volta)
1 carreta
R$ 2.316,80
Por carreta (mês
4 viagens
R$ 9.267,20
Total mensal
1.300 carretas
R$ 12.047.360,00
Média diária
30 dias
R$ 401.578,67
Total anual
12 meses
R$ 144.568.320,00
Fonte: Sinttrar
Os números foram apresentados ao site Valor&MercadoRO pelo Sinttrar, (Sindicado dos Motoristas do Transporte Rodoviário do Estado de Rondônia). Nas contas da entidade, os valores ultrapassam cifras milionárias. “Considerando que mais de 5 mil carretas trafegam diariamente pela BR-364. O grupo Amaggi, por exemplo, são mais de 1 mil carretas que fazem o transporte de soja até o Porto da Capital e retornam para o Sul do Estado com carga, geralmente ração e outros tipo de alimentos”, explicou o presidente do Sinttrar, Antônio Carlos da Silva, o popular Da Silva.
BR-364, que liga Rondônia ao Mato Grosso terá trechos duplicados e com terceira faixa. Foto: ANTT
Pedágio vai impactar no frente e alimentos na região Norte
Os motoristas que atuam no serviço de frete e trafegam diariamente pela BR-364 no transporte de alimentos, entre os municípios que terão cobrança de pedágio, temem aumento do serviço de transporte.
“De Porto Velho a Jaru, pelo meus cálculos, terei de pagar ida e volta algo em torno de R$ 320,00. É um dinheiro extra que terei de ter para fazer esse trajeto”, disse um motorista Raimundo de Souza, que durante a semana faz o trecho entre a capital de Rondônia até a cidade de Jaru, cerca de 370 km. Ele teme que o valor do frete possa ter reajuste nos próximos dias.
Segundo apurou o site Valor&MercadoRO, um automóvel e caminhonete com semirreboque (conforme consta na tabela de categoria de veículo 3), terá de desembolsar cerca de R$ 86,85, para se deslocar de Porto Velho até a cidade de Jaru. Com o retorno para Porto Velho, o valor do pedágio será de R$ 172,00. Veja a tabela:
Reprodução Valor&MercadoRO
Bancada federal diz que vai à Justiça
No último dia (03.01.26), a bancada federal emitiu uma nota de repúdio contra a decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT). Segundo a nota, os pedágios anunciados em Rondônia são abusivos e resultaram de uma decisão unilateral do governo federal, conduzidas pela ANTT, sem qualquer votação ou aprovação do Congresso Nacional.
Ainda segundo a nota, a bancada federal “sempre se posicionou contra esse edital, que impõe tarifas elevadas, prevê pouca duplicação e estabelece demora no início das obras, desconsiderando a realidade de quem vive e produz no Estado”. Até o momento não se tem notícia de algum pedido formulado pela bancada federal junto à Justiça.
Reunião da bancada federal de Rondônia no Congresso Nacional. Foto: Divulgação
Leilão foi transmitido ao vivo
O leilão foi transmitido ao vivo pelo canal oficial da ANTT no YouTube e apenas o senador Confúcio Moura (MDB-RO) estava presente no evento. Assista abaixo:
Empresários do Acre alertam para aumento do preço dos produtos ao consumidor
Tanto representantes da indústria quanto do comércio acreano alertam que os custos adicionais de pedágio tenderão a ser replicados nos preços finais ao consumidor, pressionando a inflação local e tornando produtos mais caros em um mercado já dependente de logística rodoviária.
O Sindicato das Transportadoras de Cargas do Acre fez as contas: as empresas já pagam R$ 1,6 mil para transportar carga até São Paulo e já vão ter acréscimo de R$ 1,4 mil com a sequência de cobranças no território rondoniense.
O Acre já sofre com custos logísticos elevados devido à sua distância dos grandes centros. A introdução de pedágios pode reduzir ainda mais a competitividade de produtos locais, dificultando a atração de investimentos e a diversificação da economia.
A decisão de conceder este trecho da BR-364 pode ter sido motivada por atratividade ao capital privado e busca de manutenção rodoviária externa, mas o fluxo de veículos na Amazônia é baixo, comparado a outras rodovias, o que pode limitar os benefícios econômicos esperados da modelagem da concessão.
Ação questiona mudanças contratuais autorizadas pela ANTT no fim de 2025 e aponta impacto imediato nos custos logísticos e na previsibilidade do agronegócio
A antecipação da cobrança de pedágios na BR-364, no trecho concedido entre Vilhena e Porto Velho, motivou a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Rondônia (Aprosoja Rondônia) a ingressar com ação na Justiça Federal, nesta quarta-feira, 22 de janeiro de 2026, com pedido de tutela de urgência para suspensão das tarifas. A iniciativa é realizada em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e tem como fundamento a quebra de previsibilidade e a necessidade de maior transparência nos atos administrativos relacionados à concessão.
Segundo a entidade, as alterações promovidas no contrato ao final de 2025 modificaram de forma significativa a estrutura de custos da rodovia. A Agência Nacional de Transportes Terrestres autorizou as mudanças em 12 de dezembro, aprovou a revisão tarifária no dia 30 do mesmo mês e, na sequência, permitiu a antecipação da cobrança dos pedágios em quase seis meses em relação ao cronograma originalmente previsto. Para o setor produtivo, esse encadeamento de decisões ocorreu sem prazo adequado para avaliação dos impactos e sem a devida comunicação prévia aos usuários.
O consultor de Relações Governamentais da Aprosoja Rondônia, Thiago Rocha, afirmou que a entidade não se opõe às concessões nem aos investimentos em infraestrutura, mas destacou que “o problema é a forma como esse processo foi conduzido”. De acordo com ele, enquanto a concessionária recebeu prazo ampliado para avaliar os reflexos das mudanças contratuais, os usuários da rodovia passaram a arcar imediatamente com um custo que ainda pode se revelar desproporcional.
A ação judicial é sustentada por estudos técnicos e pelo apoio institucional da Aprosoja Mato Grosso e do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas. Levantamentos elaborados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam que o pedágio não representa um custo marginal, mas um impacto estrutural sobre a logística regional. Conforme os dados apresentados, a cobrança tende a provocar redução de quase três milhões de toneladas no volume de cargas oriundas de Mato Grosso que transitam por Rondônia, o que corresponde a uma retração de 44% no fluxo destinado a Porto Velho.
Ainda segundo as análises anexadas ao processo, a diminuição do volume transportado afeta diretamente a competitividade do corredor logístico rondoniense e repercute no equilíbrio econômico de contratos já firmados. O agronegócio, conforme ressaltado por Thiago Rocha, opera com planejamento de médio e longo prazo, baseado em contratos que envolvem preços, fretes, financiamentos e operações de barter. “O agronegócio não funciona no improviso”, afirmou, ao explicar que a introdução abrupta de um custo relevante compromete margens e coloca em risco a segurança jurídica das negociações.
O setor de transportes também manifestou preocupação com os efeitos imediatos da medida. Informações do sindicato que representa as empresas de transporte de carga apontam para a possibilidade de alteração nas rotas de abastecimento de combustíveis, em razão da viabilidade econômica. Para a Aprosoja Rondônia, esse cenário pode resultar em perda de atividade econômica, redução de geração de renda e impacto indireto sobre os preços no mercado interno.
Paralelamente à tramitação da ação judicial, a entidade mantém articulações institucionais para ampliar o debate sobre a concessão. A Aprosoja Rondônia busca, junto a senadores do estado, a realização de uma audiência pública no Senado Federal no início do ano legislativo, previsto para a primeira semana de fevereiro. O objetivo é apresentar estudos, dados econômicos e os possíveis efeitos sociais decorrentes da antecipação dos pedágios, de forma técnica e transparente.
A associação sustenta que alterações contratuais dessa magnitude exigem observância aos princípios da previsibilidade, da transparência e da proporcionalidade, especialmente quando produzem efeitos econômicos imediatos. A entidade informa que continuará acompanhando o processo e que, caso sejam identificadas inconformidades, dará publicidade às informações e cobrará providências dos órgãos competentes.
Pedágio da Nova 364 entra na mira dos deputados estaduais Na manhã desta sexta-feira, 23, o site Rondônia Dinâmica publicou reportagem abordando a reação da Assembleia Legislativa de Rondônia ao início da cobrança do pedágio eletrônico no trecho concedido da BR-364, dentro do projeto Nova 364. Intitulada “Pedágio da Nova 364 entra na mira dos deputados estaduais: ‘concessão às avessas’, ‘injusto’ e ‘mais caro do Brasil’”, a matéria relata que parlamentares utilizaram sessão extraordinária realizada no dia 20 de janeiro para expor reclamações da população, questionar o modelo de implantação e defender a revisão de valores e a redistribuição das praças de cobrança.
O debate foi impulsionado por pronunciamento do deputado Pedro Fernandes, que destacou impactos diretos sobre moradores do interior que utilizam a rodovia para deslocamentos curtos e frequentes em busca de serviços essenciais. Outros parlamentares também se manifestaram, apontando que a cobrança foi iniciada antes da entrega das melhorias previstas na concessão e comparando os valores praticados em Rondônia com os de outras rodovias federais. A reportagem informa ainda que foi protocolado requerimento para a realização de audiência pública no dia 2 de março, com a participação de órgãos federais e representantes políticos, com o objetivo de aprofundar a discussão e avaliar possíveis ajustes no modelo adotado.
Municípios, estados e o Distrito Federal podem participar
Os estados, municípios e o Distrito Federal (DF) têm até domingo (25) para solicitar ajustes ou aderir ao projeto Mais Médicos Especialistas. O objetivo é aumentar a oferta desses profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em regiões prioritárias do país, por meio de cursos de aprimoramento.
A ação integra o programa Agora Tem Especialistas, que busca ampliar a qualificação de médicos especialistas enquanto eles exercem suas atividades regulares de trabalho no SUS.
Segundo o Ministério da Saúde, o processo de adesão ou ajuste deve ser realizado pelo gestor exclusivamente pelo sistema eletrônico oficial do projeto.
“Ao acessar o sistema, o gestor deve, inicialmente, identificar corretamente o seu perfil, selecionando uma das opções disponíveis. A alternativa “Recurso” é destinada aos gestores já elegíveis, conforme lista previamente publicada, enquanto a opção “Adesão” contempla novos municípios, estados ou o Distrito Federal que não foram incluídos na priorização da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) de 2025”, informa o ministério.
Pelas regras do projeto, os municípios, os estados e o DF devem informar as vagas disponíveis, de acordo com a capacidade dos seus serviços de saúde. O edital também permite a solicitação de novas vagas por serviços que tenham condições de receber médicos em aprimoramento, ampliando a participação dos territórios e levando a atenção especializada para mais regiões do país.
A pasta informou que a análise das solicitações ocorrerá no período de 26 a 28 de janeiro, e o resultado final será publicado no dia 29 de janeiro. A adesão será formalizada por meio da assinatura do Termo de Adesão e Compromisso, feita conjuntamente pelo ente federativo e pelo gestor do serviço de saúde indicado.
A empresária Luciana Colares manifestou-se de forma veemente contra os valores de pedágio recentemente implementados na BR-364, classificando-os como uma verdadeira “vergonha” e um “ato de roubo institucionalizado”, uma vez que, segundo ela, esses valores oneram de maneira desproporcional os usuários da rodovia, sobretudo os caminhoneiros e transportadores de cargas,e impactam diretamente o custo de vida da população.
Desde 12 de janeiro de 2026, a cobrança de pedágio eletrônico no trecho concedido da BR-364 entre Porto Velho e Vilhena passou a vigorar por meio de um sistema de livre passagem (free flow), administrado pela concessionária Nova 364. As tarifas variam consideravelmente ao longo dos sete pórticos instalados, com preços para carros de passeio oscilando de R$ 5,40 a R$ 37,00, dependendo do trecho percorrido, após reajuste de 9,55% autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Para Luciana, esses valores são ilegitimamente altos, sobretudo quando confrontados com as condições objetivas da rodovia e os serviços efetivamente percebidos pelos usuários. Ela argumenta que a cobrança compulsória de tarifas elevadas, sem uma melhora substancial da infraestrutura e sem oferta de serviços complementares correspondentes, representa um ônus injusto para quem depende da BR-364 tanto para atividades profissionais quanto para deslocamentos cotidianos.
A empresária ressalta que os custos do pedágio acabam sendo replicados ao longo da cadeia de consumo, refletindo-se nos preços de produtos essenciais como hortifrutigranjeiros, vestuário e medicamentos. Esse repasse, segundo ela, eleva o custo de transporte e logística e tem impacto direto no consumidor final, que já enfrenta desafios econômicos crescentes. Relatórios setoriais sugerem que, apenas no transporte de soja, por exemplo, os pedágios da BR-364 podem elevar custos em até R$ 4,00 por saca, significando um acréscimo relevante no preço final da mercadoria.
No nosso comercio, não repassamos , esse preços do pedágio aos nossos produtos, preservamos nossos clientes, mas tem outros comerciantes que já repassaram o preço dos pedágios, cobrando em seus produtos. Disse Luciana Colares.
Além disso, a empresária denuncia que os serviços prestados pela concessionária são precários e insuficientes diante do valor cobrado, com muitos usuários relatando que a rodovia ainda apresenta trechos que necessitam de manutenção, sinalização adequada e segurança reforçada. Ela conclama autoridades e órgãos reguladores a reavaliarem urgentemente a política tarifária e o nível dos serviços oferecidos, sob pena de prejudicar ainda mais a competitividade da produção regional e o bem-estar dos cidadãos que dependem diariamente da BR-364.
Rutte declarou que o tema não fez parte da pauta do diálogo no qual foi definida a base de um possível acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira (21) que a permanência da Groenlândia na Dinamarca não foi abordada durante conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada mais cedo no mesmo dia.
Em entrevista ao programa Special Report with Bret Baier, da Fox News, Rutte declarou que o tema não fez parte da pauta do diálogo no qual foi definida a base de um possível acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico.
“Após uma reunião muito produtiva com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, definimos a estrutura de um futuro acordo referente à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico. Essa solução, se concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todos os países da OTAN. Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro”, escreveu Trump.
Em discurso em Davos, na Suíça, o presidente também descartou o uso de força militar na região e afirmou que Europa “não está na direção certa”, em relação a questão da Groenlândia.
“Eu amo a Europa e quero ver a Europa ir bem, mas ela não está indo na direção certa. Acho que chegaremos a um acordo em que a Otan ficará muito feliz e nós ficaremos muito felizes. Mas precisamos dela para fins de segurança. Precisamos dela para a segurança nacional”, disse ele.
A Groenlândia tem posição estratégica no Ártico, região que ganhou importância geopolítica nos últimos anos devido a rotas marítimas, exploração de recursos naturais e presença militar.
O tema já provocou reações de autoridades dinamarquesas e europeias em ocasiões anteriores.
Medida precisa passar pelo congresso e valeria para edições futuras
O governo federal vai propor ao Congresso Nacional que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) se torne também um exame de proficiência, para determinar se o médico recém-formado está apto a exercer a medicina.
A proposta prevê que o registro profissional dos médicos dependa do desempenho nesta avaliação.
De acordo com o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o governo quer aproveitar que o Congresso já está discutindo a criação de um exame de proficiência médica para apresentar essa proposta como mais vantajosa:
“Primeiro porque ele [o exame] vai ser feito no segundo, no quarto e no sexto ano (de faculdade), ou seja, ele avalia o progresso. E ele é feito pelo Ministério da Educação, que tem como interesse principal a formação médica, e não por outra entidade que possa ter qualquer outro interesse com relação a isso”, declarou o ministro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.
Padilha esclareceu que a proposta só pode entrar em vigor após uma mudança na legislação brasileira, portanto, valeria para edições futuras do Enamed e não para a edição de 2025, que teve o seu resultado divulgado esta semana. O ministro também rebateu as acusações de que o exame tenha mostrado uma realidade catastrófica da formação médica no Brasil.
“A grande maioria dos estudantes tiveram um resultado muito positivo e mesmo nas instituições que foram mal avaliadas, você tem alunos que tiveram um resultado muito positivo”, destacou o ministro.
“Mais importante que o Enamed são as medidas para melhorar essas instituições (que não tiveram bom desempenho) e se elas não melhorarem, elas não vão poder fazer mais vestibular, não vão poder ampliar vagas e talvez não possam nem mais funcionar”, defendeu o ministro.
De acordo com Padilha, o Enamed é apenas uma das iniciativas tomadas recentemente para aprimorar a formação médica, assim como a aprovação de novas diretrizes curriculares e a criação do Exame Nacional de Residência – Enare, prova unificada para cursos de residência de todo o país, que a partir deste ano passa a aceitar a nota do Enamed como forma de ingresso.
Exame de proficiência
A hipótese de utilizar o Enamed como exame de proficiência foi levantada pelo Conselho Federal de Medicina, mas o CFM estuda fazer isso ainda com os resultados de 2025, impedindo o registro dos formandos que tenham obtido nota insuficiente no exame. Para a entidade, o resultado do Enamed aponta um “problema estrutural gravíssimo” na formação médica do país, já que cerca de um terço dos cursos tiveram desempenho insuficiente, a maioria da rede privada ou municipal.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados (Abramepo) defende que a utilização do Enamed já realizado como prova de proficiência pelo CFM seria “usurpação de funções” e “oportunismo midiático”.
“A reprovação de 30% dos cursos de medicina e o baixo desempenho de milhares de formandos confirmam um cenário que a entidade vem denunciando: a precarização do ensino e a necessidade urgente de uma vigilância estatal mais rígida sobre a qualidade da formação médica no Brasil. O que não se pode admitir é que uma autarquia de classe atue como um “segundo filtro” acadêmico, extrapolando suas atribuições éticas para criar barreiras ao trabalho”, declarou a Abramepo em nota.